quarta-feira, maio 24, 2017

TRANÇANDO LAÇOS E RELAÇÕES

A relação entre pensamento e vida, entre as idéias que o ser humano cultiva e a vida concreta, entre as reflexões filosóficas da vida e do mundo e o dia a dia do cotidiano, como trançar todos esses laços? Não afastar da vida do meu chinelo, dos meus filhos, dos meus pais, dos meus amigos, dos meus inimigos, dos meus vizinhos, mas levar para esse mundo o que encontro nos livros, nas teses filosóficas, nos tratados sociológicos e nas idéias de pensadores do passado, depois trazer de volta esse adubo e fertilizar o  mundo concreto de meus desejos, de anseios e das minhas relações sociais, enriquecendo a mente e clareando os próximos passos.
é  possível?
Como posso aprender a viver, gastando a maior parte do tempo na luta para manter-me vivo? Nalgum momento da vida meu pão de cada dia pode estar assegurado, mas o alimento da mente não corre risco de faltar? Como exercitar o cérebro assim como se levanta pesos em uma academia para fortalecer os músculos?
Outro dia, depois de ler uma volumosa biografia de Benjamin Franklin, desejei passar alguns dias sem ler outro livro e folhear, por algum tempo, os meus próprios neurônios agitados e, talvez, observar as idiossincrasias dos amigos e dos políticos. Exercitar a mente viajando ao passado tende a enfraquecer minhas pernas. Corro o risco de tropeçar na realidade do que se passa a volta. Quero comentar aquela leitura, mas deixo para outra ocasião, pois meu pensamento agora quer desenvolver músculos por outros meios, como observar pássaros no alto da montanha ou tirando um tempo para conversar com amigos e parentes.

A preocupação é a de não deixar que os contornos musculares do cérebro se atrofiem por falta de atividade. Decidi, por alguns dias, ler o “livro aberto da vida” para concluir com uma frase de poesia barata.

terça-feira, dezembro 06, 2016

NOSSA VIDA NÃO TEM CAMINHO

Caminhos e estradas são muito simbólicos e servem para criar metáforas de todo tipo. Dizem que viver é seguir um caminho. Quando a pessoa comete erros, consideram que perdeu o caminho ou o rumo. Não consigo imaginar como é esse caminho nem quem o abriu para mim. Alguns dizem que  viver é seguir por essa imaginaria estrada até encontrar a morte. Outras pessoas dizem que, se seguirmos certas regras obrigatórias, ao final dessa viagem alcançaremos o paraíso. Claro que uma boa parte acaba indo é para o inferno. 
Acho bastante interessante essas metáforas, pois simplificam muito a nossa necessidade de encontra uma  lógica ou uma razão do viver.
Mas, será que não estamos sendo enganados com isso? A metáfora da vida como um caminho a percorrer dá a ilusão de que existe um sentido prévio da  vida, uma espécie de missão impostas a todos as pessoas. Dizem até de que há, numa determinada etapa desse caminhar, uma encruzilhada. Para a esquerda vamos direto a um mundo sustentado pelo diabo. Para a direita, podemos alcançar o céu, povoado de anjos imaculados e com um chefe todo poderoso chamado Deus. 
No cotidiano de nossas vidas essa metáfora, embora não seja nada prática, nos segue como vulto ideal, uma espécie de bússola que nos orienta ao longo da acidentada jornada
 Por atrevimento ou, talvez por imprudência, resolvi imaginar como seria minha vida sem essa metáfora. Considerei que viver pode ser um caminhar, mas sem nenhuma vereda, nem uma trilha sequer. Teria que viver abrindo minha própria trilha em meio às florestas das possibilidades, de desafios, de obstáculos e das necessidades de escolhas. Preciso, toda, desbravar uma parte desconhecida, uma subida penosa e cheia de pedras ou uma descida inclinada demais, escorregadia e ponteada de valas e cercada de despenhadeiros. Posso encontrar, à frente, pântanos perigosos ou desertos inclementes. De qualquer forma minha caminhada não pode ser detida a não ser pela morte. E, como desejo continuar bem vivo, não desisto e prossigo. Imagino que não há bússola nem outros meios confiáveis de me orientar. Sigo em frente meio perdido, desorientado ou caminhando em círculos. Depois consigo encontrar meu rumo e recobrar o animo de prosseguir. Atrás de mim, fica o caminho, as marcas das solas do sapato e os galhos e cipoais rompidos à minha passagem. À frente, não vejo sinais de  de outros, rastros de algum viajante mais prudente, só arbustos espinhosos, liames enovelados entre os troncos das árvores, ou charcos traiçoeiros. Quando passo pelo deserto, só vejo areia, pedras, e o brilho do sol abrasador. Passo fome, passo cedo, sinto fraquezas, as vezes desânimos ou desespero, mas tenho que prosseguir. Depois que passo, fica o caminho, as marcas de minhas obras, das escolhas e dos atos. Um caminho que depois o tempo vai se encarregar de devolver à natureza e apagar as pegadas de minha passagem. 

quinta-feira, novembro 10, 2016

BOAS INTENÇÕES SÃO O CAMINHO MAIS CURTO PARA O INFERNO

Muitos acreditam que consertar o mundo e construir o paraíso perfeito é uma questão de vontade obsessiva de alguns e de subordinação de todos os outros; ainda, da eliminação direta dos contrários e com o triunfo da unanimidade.

Tem gente que acredita que o mundo só é imperfeito e sofrido por culpa dos outros. Caso esses outros aceitassem suas idéias e se dispusessem, pacificamente, a lhes obedecer, rapidamente o paraíso se estabeleceria na terra. A complicação é que esses “outros” pensam a mesma coisa daqueles primeiros.

terça-feira, outubro 04, 2016

QUANDO É POSSÍVEL SER CULTO?

Imagine alguém que vive na roça, na zona rural, longe de cidade, aquele que tira  seu sustento da terra. Talvez crie galinhas, porcos e gado leiteiro. Num mundo isolado desse estaria ele obrigado a  viver uma vida mentalmente pobre, absorvido em sua lida e sem tempo para ler um livro, conversar com gente culta, ouvir palestra sobre economia, quem sabe psicologia ou mesmo filosofia? Porque o lavrador deveria viver de seu trabalho assim como vivem as abelhas na coleta de néctar, com conhecimento suficiente da posição do sol, da direção do vento ou dos ciclos das estações? Não poderia ele adquirir musculatura mental assim como adquiri calos nas mãos e hipertrofia os músculos dos braços? Estaria condenado a aprender meramente datas para plantar couves,  ou qual a melhor época para semear feijões, decorar as fases da lua, dos dias de festas no povoado e da  missa na igreja de pau à pique?
Qualquer homem da roça sabe distinguir as primeiras folhas do milharal que nasce das brotas de capim ou de ervas daninhas. Mas sabe ele distinguir uma sonata de Beethoven de uma peça de Mozart, ou ainda, que o cavalo de tróia era de madeira e que a montaria  de Alexandre tinha o nome de bucéfalo?
Parece-me que em quase todas as partes do mundo, ser agricultor é sinônimo de vida tosca, embora romântica. Justamente aquele indivíduo que vive em contato com a natureza, ver todos os dias os pores de sol e todas as auroras, pode terminar por não perceber a beleza das nuvens formando fantasmas de roupas brancas e amareladas, contornadas por  bordas vermelhas. Talvez, por isso mesmo, por ter todas as manhas e todas as tardes defraudando arrebóis encarnados, que tudo acaba sendo sem importância. O homem não olha para o céu, nem perscruta o horizonte a não ser para ver se vem chuva ou se o dia vai ser quente.
Só quem perdeu todo  esse paraíso é que aprende a valorizá-lo. Aquele que vive entre fumaça de automóveis, horizonte bloqueado por arranha-céus, ruas coalhada de gente e de ruídos de trens e fábricas, pode, de uma hora para a outra, refugiar-se no meio de uma invernada ou no sopé da montanha. Então ouvirá o burburinho da correnteza do rio, o canto dos pássaros e desejará admirar o sol que desce deslizando sobre o morro irregular e escuro, e aí irá se emocionar e exclamar: como é belo!
O triste é que a vida no campo está associada à vida simples, pobre, ingênua, sem graça e vazia. Em minhas caminhadas pela borda da floresta ou atravessando rios a nado, lembrava que por conhecer os dois mundos, aprendi a buscar não só prazer no meio do “nada” como fazer desse nada, desse mundo de plantas, pedras, animais, insetos, um universo não só emocionante mais também cheio de belas e agradáveis surpresas. Quando me exercitei na lida de agricultor e ganhei o meu pão de cada dia plantando abóboras e alfaces, meu objetivo era não só o de cumprir um ritual de que tinha saudades como o de poder plantar feijão e depois ler Homero, saboreando a ambos com o mesmo prazer. Acreditei até que plantar uma roça de milho é tão filosófico, tão criativo quanto escrever uma tese sobre Spinoza ou descrever numa monografia as contradições da teoria da relatividade comparada à mecânica quântica.

De qualquer forma a maioria dos roceiros parece feliz e não sente falta de Aristóteles, de Spinoza, de Descartes e suas vidas. Os biólogos e os antropólogos dizem que os seres vivos adquirem conhecimento de seu meio como estratégia de sobrevivência e nada além do que precisam para manter-se vivos e se reproduzirem. Nesse caso alguns seres humanos fogem à regra, pois estão sempre se metendo em confusão, seja ela religiosa ou filosófica. Querem conhecer mais do que plantar trigo ou fugir de raios nas tempestades. Mas os lavradores que conheci estão mais de acordo com as explicações dos biólgos. A maioria vive feliz com seu mundo simples e delegam aos deuses e santos as tarefas que demandam conhecimentos ocultos ou difícil de serem adquiridos, já que seu mister não o exige, ou pelo menos assim acreditam.
Invejo essa simplicidade da vida campesina, marcada pelo contato direto e muito próximo com o mundo natural, quase inteiramente dedicada aos instintos de sobrevivência e a procriação. Pelo menos não sofrem a angustia daqueles intelectuais que perderam a inocência de viver, enroscados em tantas perguntas sem respostas. Cultivam certas preocupações que são boas  para provocar insônias.


Certa feita, fui a um velório no sertão e, como todo observador ressabiado, fiquei observando e ouvindo os presentes. O que notei foi uma total falta de medo da morte. Todos desejavam que o defunto descansasse em paz como se por toda a sua vida não tivesse encontrado momentos de repouso. Tinham uma visão quase fatalista da vida e da morte, ou melhor, viam a vida como constante labuta e a morte como aquele momento de repouso, o descanso sem volta, o alivio das dores e suores da existência.  Pelo menos não percebi neurose nessa filosofia tosca e resignada, em certo aspecto melhor que a minha. 

quinta-feira, agosto 25, 2016

FLORES SEM NOME

O quintal de qualquer casa está sempre sendo invadido por plantas, a maioria desconhecida, que chamamos de mato. 

O lavrador dá o nome de praga da roça.







Meu quintal não é diferente. Uma dezena de plantinhas nasceram e cresceram enquanto não tinha tempo para limpar o terreno. Algumas começaram a soltar flores e eu parei para admirá-las. Não eram plantas de jardim ou ornamentais, mas tinham pétalas lindas e não deixavam nada a desejar às rosas, aos cravos e as orquídeas.



Fiquei contente de não tê-las capinado.

quinta-feira, junho 09, 2016

VIAGEM COM POUCO DINHEIRO

Viajei para Itahum para conhecer a região. Levei dinheiro para comer alguma coisa por três dias e guardei o suficiente para pagar a passagem de volta à Itaporã. Não tinha sobra para ficar num hotel. Perambulei pela cidadezinha por algumas horas, comi um lanche simples num barzinho aconchegante e segui para os arredores. A cidade era  cercada pelo cerrado, terreno plano, arreia clara e árvores pequenas e esparsas.  Procurei uma parte deserta e calma para passar a noite. Com o cair da tarde, escolhi um local limpo, arenoso, com árvores retorcidas e moitas de capim barba-de-bode. Entre os ramos e touceiras destacava a superfície de areia muito fina, partes amarelo-amarronzado e  outras muito brancas. Lembrava um deserto só que mais vivo, mas verde e cheio de vida. Por um momento observei os pequenos lagartos correrem de um lado a outro e formigas perscrutarem as cascas das árvores. Era fim de tarde e um vento fresco começou a substituir o calor intenso do dia. Sentei-me no chão e abri minha mochila, disposto a escrever alguma coisa no meu caderno de anotações. Peguei a caneta, mas nada me vinha a mente. Aliás, uma multidão de coisas agitava minha imaginação, e nenhuma daquelas imagens associadas a sentimentos de toda sorte, demorava mais que alguns segundos. A luz diminuía constantemente.
Pensei comigo: vou dormir por aqui mesmo; quero alimentar-me dessa visão agreste por mais tempo. O terreno era incrivelmente regular e o horizonte parecia muito próximo. As pequenas árvores afastadas umas das outras balançavam delicadamente suas folhas ao toque da suave brisa do cair da tarde. Não lembro, exatamente, o que sentia. Tenho certeza apenas de que uma centena de sentimentos, misturados com visões coloridas e brilhos de luzes desconhecidas, tumultuavam minha cabeça. Mas era uma sensação gostosa, talvez uma embriaguez prazerosa. Pássaros silenciosos saltitavam por entre touceiras de capim, juntamente com as formigas e os lagartos apressados. Uma seriema piou ao longe, a oeste; outra respondeu, ao norte.
Passei a noite meio sentado na areia, as pernas, ora esticadas ora encolhidas,com as costas apoiada no tronco rugoso de uma árvore de folhas oblongas e ásperas.  Ouvi muitos ruídos que me assustavam, uivos e guinchados mais distantes que me obrigavam a abrir os olhos e a perscrutar a escuridão. A noite era relativamente clara, sem lua, mas com um céu tão cheio de estrela que elas pareciam mais baixas, mais próximas da terra. Tinha a sensação de que se levantasse, esticasse o braço para cima, poderia tocá-las.  De manhã, quando o brilho vindo do leste estendeu-se pelo campo, desejei agitar meus membros doloridos e caminhar na direção do meu destino.


segunda-feira, abril 25, 2016

RELIGIÃO E CIÊNCIA E A SUPERAÇÃO

CAPÍTULO AINDA SEM NÚMERO

Versículo 121 – Os seguidores de religiões cultivam a fé porque ignoram que a dúvida não mata. Se não temessem a morte, nem os demônios, nem a fúria dos deuses, não receariam de mandar antecipadamente seus padres, pastores e gurus para o inferno, mesmo sem acreditar no inferno.

Versículo122 – Qualquer religião que se preze precisa ter belos e suntuosos templos. Seus deuses são tão humanos que precisam de palácios, luxos e conforto; os súditos devem descalçar os pés e pôr-se de joelhos nesses lugares  sagrados. Precisam demonstrar algum tipo de submissão e obediência.

Versículo 123– Não podemos comprovar a inexistência dos deuses, embora as divindades que conhecemos são demasiadamente humanas para perdermos tempo com elas.

Versículo 130 – Quem condena as religiões não entende o papel que elas desempenham. São respostas provisórias para perguntas que ainda não tivemos coragem de fazer. São explicações de um mundo que ainda não aprendemos a suportar.

Versículo 131– Religião religa o ser humano ao mundo da natureza da qual nunca se desligou por absoluta impossibilidade, mas de que se sentia diferente e separado. Talvez por ter a capacidade de construí-la dentro do cérebro e isso causava tamanho terror que precisava domar, não a natureza que estava fora de si, mas a que havia construído dentro de si. A natureza dentro de si não podia ficar sem explicações, sem causa e efeito compreensível. Por isso que a ciência é uma continuidade da religião que substitui o dogma e a explicação arbitrária pela hipótese e pelo experimento; de certa forma a ciência não destrói a religião, vai além dela. Na verdade dá continuidade ao objetivo de diminuir o terror que o desconhecido, a mudança e o futuro incerto causam no ser humano


Versículo 132– O medo do trovão e do raio não era medo do trovão e do raio; era medo do poder do trovão e do raio. O ser humano precisava saber a natureza do trovão e do raio para poder, de alguma forma, descobrir um meio de evitá-lo ou domá-lo. Dizer que o trovão e o raio eram a manifestação do poder de um Deus qualquer foi o recurso inventado, primitivo e tosco, na tentativa de domá-lo. E aí estava o germe da ciência de hoje. 

segunda-feira, março 21, 2016

OS DETALHES DA FLORESTA


Estava observando o terreno perto das árvores, numa parte plana onde tenciono fazer alguns canteiros de verduras. Sempre admiro o viço das plantas, principalmente no verão, quando uma área limpa se cobre de mato e em pouco tempo cresce e logo ameaça transformar o que era antes uma terra exposta ao sol, novamente em mata. Num metro quadrado contei mais ou menos 35 tipos diferentes de plantas. Se deixar, passado alguns meses o mato já tem o tamanho de meio metro de altura.
Quando voltei para dentro de casa, vi que as pernas da minha calça estavam repletas de sementes que haviam aderido ao tecido de forma tão forte que precisei usar a unha para tirar uma a uma. Todo mundo sabe que muitas plantas criam mecanismos de semeadura extremamente sofisticados e desenvolvem pêlos na superfície das sementes para que algum passante, seja gente ou animal, arraste essas para longe, garantindo a disseminação e a perpetuação da espécie. Um caso clássico de semente que se agarra nas calças e peles das pessoas são os popularmente conhecidos "carrapicho" e "picão".
Todo  a imensa diversidade de artimanhas que as plantas usam para, primeiro viabilizar a fecundação, o cruzamento entre machos e fêmeas, usando aves, animais, insetos e o vento.
Depois vem o encanto dos recursos para viabilizar a disseminação, espalhar seus óvulos que são as sementes, da mesma forma usando os animais, as aves, os insetos e o vento.
Desse caso eu quero tratar aqui.
Na verdade é uma viagem instigante observar os mecanismos que as plantas usam para se disseminarem. Nunca me canso de estudar esses detalhes da natureza, tanto na variedade de recursos como nas miríades de formas extremamente criativas de propagarem seus descendentes. Como as plantas não andam nem podem criar seus descendentes assim como fazem os animais, dependem dos outros para se reproduziram. Só as inumeráveis maneiras de desenvolver soluções aerodinâmicas, atrativas ou adesivas já encantam quem tem a paciência de observar não só as grandes paisagem mas também os pequenos, as vezes quase invisíveis, detalhes dos sistemas de reprodução das plantas. Outro dia peguei uma semente de cedro, uma pequenina vagem com pestanas quase transparentes. Esse tipo de asa  serve para que, quando ela cai lá do alta da copa, o vento a leva para longe. Essa usa o vento, outras usam o apetite das aves e dos animais, outras usam coberturas adesivas como aquelas  que descrevi no inicio. As que desenvolveram cobertura comestível, também criaram cores chamativas e um núcleo resistente ao processo de digestão de animais e aves. Dizem os botânicos que certas sementes só nascem depois de passar pelo ataque do ácido do trato digestivo dos mesmos. O cedro que citei, como se sabe torna-se imensa árvore de 20, 30 metros de altura, mas sua semente é muito pequena e pesa somente algumas gramas. Mas, naquela minúscula semente armazena todas as informações de que precisa para nascer, desenvolver e se reproduzir.  Podemos dizer, meio grosseiramente, que cada semente é um micro-chip, contendo os dados genéticos e a programação de reprodução da árvore mãe.
Outro detalhe curioso é a abundancia de sementes que são produzidos anualmente por uma árvore. É coisa assombrosa. Contei o cacho de uma palmeira juçara e havia 456 coquinhos. Quando os plantei 80 por cento deles nasceram. E essa palmeira solta até quatro cachos por ano. Para não correr riscos, a natureza prefere exagerar na reprodução de seus descendentes. Uma figueira brava, por exemplo, dá tanto fruto que é praticamente impossível contá-los.
Essa superabundância de frutos não só garante a perpetuação de cada planta como garante o alimento de miríades de pássaros, aves, animais e do próprio homem. O que seria da humanidade se não houvesse essa abundância de grãos, frutas, legumes e castanhas?

Naturalmente qualquer um de nós chega a conclusão de que a vida não só é interconectada em seu conjunto biológico, quanto interdependente em sua troca de favores e de  dependências.

quinta-feira, março 10, 2016

VOLTA DOS MILITARES? SÓ OS DESMIOLADOS PEDEM ISSO

Se existe alguma coisa nesse pais que está sempre em falta e não é fornecido pelo estado é bom senso. Clamar pela volta dos militares é um absurdo tão grande de não consigo entender quem defende essa solução par eliminar o PT do poder. Os milicos tiveram 20 anos para erradicar o Brasil dos vermelhos e não conseguiram; eles voltaram mais forte do que nunca. O regime militar estupido e sem rumo, não teve a capacidade de consertar o país. Quando a batata esquentou jogaram ela no colo do comunas e em menos de vinte anos levaram o poder e os milicos humilhados, tratados à pão e água, mantiveram o rabo no meio da pernas e engoliram seco. Se os militares tivessem, pelo menos, um pouco de crença na liberdade, que é a única forma de um pais prosperar e eliminar a miséria, poderiam ter feito como Pinochet que trouxe uma equipe da Universidade de Chicago e deu rumo ao pais. Lá a esquerda mesmo quando conquista o poder não consegue mudar o legado dele. Pelo menos por enquanto. Hoje é um pais próspero. Os nossos militares arruinaram o pais, trataram os esquerdistas com luva de pelica, mataram o quê? duas dezenas deles, agoram tem que aguentar desaforo desses vermelhos, de bico calado. Vide a tal Comissão da Verdade. Pinochet eliminou milhares, alguns dizem que passaram de 20 mil, mas pacificou o país, deu rumo à sua economia, enquadrou os sindicatos e privatizou a previdência.
Repito, nada, na história do Brasil supera tanto incompetência, truculência e falta de cérebros como o regime militar. Portanto meus pesâmes aos que querem a volta dos militares, pela anemia dos neorônios ou pela leitura errada da história do Brasil

segunda-feira, fevereiro 29, 2016

A ESPIRITUALIDADE QUE NOS RESTA

Muitos  povos, como os egípcios da época dos faraós, adoravam o sol e o consideravam um Deus. Para esses povos, o fato de o sol todos os dias surgir no horizonte, expulsando a escuridão da terra, banhando os campos com sua luz dourada e quente, fazendo crescer as plantas e abrir as flores, só podia ser uma ação divina. Essa visão mágica dos fenômenos naturais tinha encanto e espiritualidade, sentimentos que as civilizações modernas não podem perder, sem que tenham enormes prejuízos psicológicos e sociais. A crença numa divindade atuando na natureza, como que cultivando os prados e  as florestas, assim como o ser humano faz com suas lavouras, era uma visão que envolvia mais que crença ingênua e mágica dos fenômenos físicos; respondia, também, a uma angustia espiritual diante das forças imprevistas das tempestades, dos terremotos e da cruel e permanente luta pela sobrevivênci. Afinal nossos antepassados viviam cercados por feras carnívoras e sob a fúria incontrolável da natureza.
Essa visão espiritual, o venerado respeito pela natureza, esteve presente na história da humanidade por longuíssimos períodos. É o que constatam os arqueólogos e sua incansável busca por registros ocultos pelas areias do tempo ou soterrados pela lama dos séculos. A humanidade deixou suas pegadas nessa aventura de milênios. Hoje eles escavam a terra e encontram vestígios de rituais, cochas, pedras buriladas, amuletos cizelados, colares, indícios de cultos às divindades naturais e até às feras da noite.
Mas hoje, sem religião, com a ciência descobrindo as razões e causas de todos os fenômenos naturais, não encontrando um deus ou uma força sobrenatural por trás das manifestações físicas, o que restará à humanidade?
Na verdade, a ciência não elimina o espiritual de maneira irreversível. Por que perderíamos a capacidade de admirar o poder do relâmpago, a beleza dos campos floridos, ou mesmo o encanto dos raios do sol passando por uma fresta das rochas enegrecidas da encosta da montanha? Entender porque o sol brilha, que há uma reação atômica em  seu interior cujo processo gera milhões de graus de calor e emite luz, não nos priva, necessariamente, de respeitar e admirar esse fenômeno fantástico de energia e força. Respeitar a natureza é compreender que apesar da enorme poder que a humanidade adquiriu com sua mente hiper-desenvolvida, ela não é capaz de alterar as leis da física, a velocidade da luz ou a presença da morte. A emoção e o prazer de admirar as flores da primavera não estão no mistério ou na ignorância das  leis da natureza; são características do  espírito humano e não se apagam com o conhecimento das mesmas e de como elas regem o universo. Pelo contrário, pode facilitar uma nova visão e gerar profunda reverência, em face dessas intrincadas e fantásticas leis. Afinal  somos, absolutamente, parte da natureza e não donos dela. Poderemos um dia saber quase tudo sobre ela, mas continuaremos sendo uma parte dela, e, se não a respeitarmos, ela nos varrerá da face da terra. 

sexta-feira, janeiro 22, 2016

PEPE O GAMBAZINHO CAMARADA

Os animais que não são domesticados são chamados de selvagens e normalmente as pessoas não tem nenhuma afeição por eles. Muitos sempre foram e ainda são caçados como alimento humano. Para piorar, com o acelerado desmatamento em toda parte, esses animais estão cada vez mais sem espaço para viver. Claro que para sorte deles, hoje há um forte movimento de preservação da natureza, o que trás alguma perspectiva de salvação para muitas espécies que caminham tragicamente para a extinção.
Mas um curioso e bastante misterioso animal tem desafiado as enormes mudanças que o meio natural vem sofrendo pela obra dos seres humanos e está aprendendo a, digamos assim, conviver com eles. Esse animal é o gambá, também conhecido por saruê.
Ficou comum encontrá-lo em forros de casas, caixas abandonadas no quintal, vãos de paredes e até em caixa de luz. Muitas pessoas imaginando ser ele um monstro devorador de gente, ataca-o furiosamente ou atiçam cães a matá-lo.
No entanto o gambá, cujas várias espécies foram agrupadas sob o nome científico de  didelfídeos, é um animal inofensivo e jamais morde muito menos come gente.
Outro dia apareceu em nosso quintal um filhote, debaixo da chuva, tremendo, quase sem forças para andar. Recolhemos o animalzinho e procuramos aquecê-lo o mais rápido possível. Minha companheira ficou encantada com o bichinho e o adotou de pronto. Deu-lhe o nome de Pepe e passou a, pacientemente, alimentá-lo com ovos batidos, frutas e ração para filhote de gato. Dormia o dia todo e mal acordava para comer. Em quatro semanas o gambazinho já estava esperto e assim que apagávamos as luzes da casa para dormir, ele começava a correr de um lado para o outro, a subir nos móveis e a entrar nas gavetas dos armários. Esperamos mais duas semanas e então resolvemos soltá-
lo, ou  melhor, deixá-lo escolher o mundo lá
fora.
Fizemos uma casinha forrada com panos felpudos e aconchegantes e a colocamos no sótão. Ali deixamos o bichinho para passar a noite. Pelo telhado havia passagens e uma janela sem vidros por onde ele podia sair e alcançar a mata que ficava a uns dez metros da casa. Por duas noites ele explorou todo o enorme sótão, mas não se aventurou a fugir. De manhã eu subia e ia direto à casinha. Abria o teto e o encontrava enrodilhado entre os panos, dormindo relaxadamente. Mas na terceira noite foi embora e não voltou mais. Gostamos de imaginar que vive por perto e a qualquer hora vamos topar com ele, andando pelo quintal no lusco-fusco da noite.


quarta-feira, dezembro 23, 2015

A LUA QUASE AZUL E CHEIA


 Na noite da última lua azul, 31 de julho de 2015, fomos para a sítio e ela nos acompanhou o tempo todo. Numa parte da estrada em que há matas de ambos os lados e algumas curvas acentuadas, reduzi a velocidade do automóvel, apaguei os faróis e dirigi por uns dois quilômetros só com as lanternas acessas, por segurança. Realmente havia uma cor azulada no ar, um tom esmaecido nos vultos de pedras, barrancos e árvores. Parecia que flutuávamos sobre a estrada.
A lua, própria, continuava cor de prata, mas, talvez, quem dera esse nome a ela - quando aparece duas vezes em um mesmo mês - tenha passado por igual experiência do tipo que passamos. Na realidade, o ar estava cinza azulado e, com o movimento do carro, os contornos da paisagem ora brilhavam ora ocultavam sob a sombra das matas. Foi alguns minutos, mas para jamais esquecer.
Lembrei-me, então, das crenças, lendas e cultos à lua, principalmente à lua cheia. Esses existiram desde a pré-história e entre praticamente todos os povos da terra. A lua sempre foi vista como mais misteriosa que o sol, talvez um pouco tímida, fria, mutante. Por isso ela é ligada às estações mais do que o astro rei. Simboliza também mudanças, o passar dos tempos, as fazes da menstruação feminina, por isso foi ligada à gravidez, à fertilidade. Na verdade a lua é um elemento essencialmente feminino na longa tradição de culto e veneração por sua presença e seus quatros estágios.
Na china há lugares apropriados para as pessoas visitarem a lua literalmente. Lugares altos, no cume de montanhas, onde as pessoas levantam os braços e sentem a sensação de que podem quase tocá-la. No oriente existem lugares chamados de “palácio da lua”, “bosque da lua cheia”, “montanha da lua”. Há até uma festa chamada de “bolo da lua”. Em Macau é um evento que se comemora até os dias de hoje.
A lua está ligada ao namoro, portanto ao amor, à saudade, simbolizando uma carga de sentimentos poéticos e de felicidade.
No interior do Brasil, quando ainda não havia energia elétrica, os dias de lua cheia eram ocasiões para os visinhos visitarem-se uns aos outros. Iluminados pela lua, tomavam as trilhas da roça ou do pasto, um atalho que sempre levava ao vizinho de cima, ou ao vizinho de baixo.
Os povos antigos cultuavam deusas que se confundia com o astro lunar e tinham papeis determinados a cumprir no meio dos humanos. Eram deusas da fertilidade ou protetora da caça, da mulher grávida, da criança, dos amantes. Para os gregos a lua cheia era a deusa Selene, para o romanos era Diana, para o babilônicos era Ishtar.
Os astrólogos ligam a lua ao fenômeno natural dos ciclos e das mudanças.
O mais óbvio e que influencia diretamente os seres humanos é a maré, provocada pela gravidade da lua.
Nas tradições de todos os povos a lua rege quase tudo na vida, desde o crescimento dos cabelos, o viço das plantas, ou a sorte e o azar dos seres humanos.


Eu, da minha parte, tirei a noite seguinte para sair para a divisa da floresta, sentar num tronco caído e relaxar, lavar o espírito com o banho daquela luz prateada e ouvir os ruídos do vento suave sobre as folhas e galhos das árvores mais altas. Os grilos pareciam mas animados e alguns vaga-lumes piscavam entre os troncos. Era uma  oportunidade de olhas a encosta do monte e ver tudo num tom cinza, quase preto e branco. As cores desaparecidas tornavam a paisagem estranha e quase irreconhecível. Não era bela, mas emotiva, meio romântica talvez.  

sexta-feira, novembro 27, 2015

CICLOVIAS E OUTRAS CICLOAVENTURAS




O povo paulistano, neste ano de 2015, sempre fala, com ironia, que tem um prefeito que é louco por ciclovias. Mas não vou falar desse sujeito que acha que sabe o que é melhor para os outros. Isso é gente perigosa para a sociedade. Os paulistanos fariam bem em não dormir sossegado, tendo um alcaide desses.
Mas desejo falar da bicicleta em si ou das virtudes de se aventurar por trilhas com esse veículo de duas rodas. Não acho graça nenhuma praticar ciclismo na cidade. Parece não só perigoso como nada recomendável à saúde. Respirar o ar poluído por automóveis é sacrificar os pulmões.
A bicicleta serve para fazer trilha de uma maneira bastante agradável, pois não gera ruído e possibilita ao amante da natureza rápidos deslocamentos que não é possível a pé.
Sempre gostei de trilhar a mata com mochila nas costas, pedalando relaxadamente uma bicicleta de 18 marchas.
Fazia um programa dessa natureza nos arredores da grande São Paulo, em lugares com muita mata, pedras, montes e riachos. Mas há regiões perigosas, principalmente aquelas próximas a vilas formadas por invasões. São áreas habitadas por gente pobre, distantes do centro, que aproveitam terrenos abandonados, proprietários ausentes ou desconhecidos. Pode ser inclusive áreas com restrições legais de construção, mas que, por descuido ou negligência das autoridades, foram invadidas e povoadas de um dia  para o outro. Esses lugares isolados e distantes acabam sendo esconderijo de fugitivos da lei e desocupados de toda espécie. Embora muitos desses moradores sejam gentes honestas e trabalhadoras, a ausência de autoridade facilita a presença de indivíduos que, se cruzarem com você, enxergará apenas uma presa fácil para roubar sua bicicleta e sua mochila, talvez até seu tênis. Aconteceu isso como um amigo e não desejo compartilhar com ele essa experiência.  
A última vez que perambulei pelas trilhas foi numa área distante de estratos urbanos e pude cruzar com um casal de capivara deitado na sobra junto ao córrego. Com a minha aproximação, os dois animais levantaram e saltaram na água, nadando para uma curva uma dezena de metros adiante. Vi muitas aves e pássaros. Parei numa parte alta do terreno, alertado pelo ruído estranho na copa das árvores. Olhei e vi um bando de bugios, saltando de um galho ao outro. Uma fêmea carregava seu filho nas costas. O macho, mais corpulento e com uma juba meio marrom, parou e me encarou. Olhei-o em silencio, sem fazer nenhum movimento. Acredito que percebeu que eu não era uma ameaça, pois virou lentamente e subiu pelo tronco mais grosso da árvore, saltou para outra galhada e se afastou, seguindo as fêmeas.
Mais tarde vi um veadinho saltar de um descampado para o mato e fugir quebrando ramos e contornando as pedras do meio da mata.
Na volta presenciei mais um gracioso animal que é o esquilo. Ele estava no chão, catando coquinhos. Quando me viu correu para um tronco, subiu por ele até uma altura de três metros, parou e me encarou, soltando curtos gritos, uma espécie de latido agudo e rápido.
Devo ter viajado por uns 30 quilômetros meio em ziguezague, incluindo a volta. Não havia poluição, só o cheiro de flores e de ervas desconhecidas. Se tivesse caminhado a pé teria feito um terço desse percurso. Não fiquei cansado, pois pedalei com calma, mais interessado em ver os detalhes da floresta e da vida que habita ali.


quarta-feira, novembro 11, 2015

A NATUREZA NÃO SE PROTEGE POR DECRETO



A vida selvagem, principalmente animais de médio e grande porte está extremamente ameaçada pela urbanização, mais precisamente pela presença humana em toda parte. As regiões rurais são cortadas por estradas e divididas em blocos, chamados sítios e fazendas, que possuem casas, gados, porcos, galinhas e cães. Com exceção da maior parte da Amazônia, todas as terras do país são retalhadas e possuem donos. A simples presença disseminada de seres humanos por toda parte já é uma grave ameaça a vida selvagem. Mesmo que todos tivessem perdido o hábito de caça e deixassem os animais em paz, sua mera presença já seria um sério obstáculo a sua existência. Os defensores da fauna e da flora insistem em pedir leis severas, restrições de toda espécie e proibições infinitas,mas passam ao largo da questão principal que é a superpopulação do mundo. Podemos resumir a questão a uma só: tem gente demais nessa limitada espaçonave chamada planeta terra.

Cada individuo que nasce demanda comida e espaço, o que significa menos espaço e menos comida para animais que necessitam de algum território exclusivo para poder viver e se reproduzir. Criar parques e áreas protegidas é um débil paliativo. Combater o agronegócio é uma estupidez,  pois só a moderna agricultura é que pode matar a fome de mais de sete bilhões de  seres humanos. Os países ricos já pararam de crescer há um bom tempo, mas quase todas as nações pobres estão enfrentando uma explosão demográfica. Como encarar esse problema é uma questão que precisa estar ao lado do esforço para proteger leões e tartarugas. As soluções de controle de natalidade, tipo imposição governamental gerará tanto sofrimento e restrições da liberdade individual quanto levar tratamentos e  remédios para combater a mortalidade infantil e não levar um plano para discutir planejamento familiar. Vemos esse problema no Haiti, onde combateram com certa eficiência as doenças que matavam crianças, mas esqueceram de levar meios de modernizar a economia, não defenderam liberdade de negócios e empreendimento para aquele  povo. E, afinal, a queda do índice de mortalidade infantil só aumentou o número de pobres e miseráveis. O mundo precisa ficar rico para poder diminuir sua população. E só ficará rico quando houver liberdade econômica. Muitos desejam socializar a pobreza e assaltar  os países ricos para alimentar os povos que passam fome. Só conseguirão tornar todos pobres. Só protegeremos nossas matas, rios e animais quando já tivermos garantido nosso sustento e conforto. Assim, sobrará recursos econômicos para preservamos boa parte das florestas e de seus habitantes.

quinta-feira, outubro 15, 2015

O JARDIM DE DARWIN


Down House e a Origem das Espécies

De: Michael Boulter

 Considerando que já li muita coisa sobre Darwin, curtas biografias e outros escritos, ler este livro foi complementar e ampliou mais o meu conhecimento sobre ele.
Quero destacar que Darwin, ao contrário de muitos outros, jamais deixou de ser cientista e de limitar-se ao método científico, resistindo à tentação de estabelecer crenças ou hipóteses que pudessem posteriormente revelar-se equivocadas.
Comparo imediatamente a Marx ou mesmo a Freud, ambos pouco atentos aos limites que separam o conhecimento cientifico das teorias metafísicas. Freud, que inicialmente atinha-se à pesquisa séria e cautelosa, enveredou-se posteriormente pelo caminho das comparações da natureza humana com lendas antigas e tradições místicas.
Marx, dominado pela filosofia Hegeliana, confundia objetivismo dialético e jogos de palavras com objetivismo científico.

Darwin, da sua parte, manteve-se fiel a postura científica, e raramente desviou-se dela, permanecendo cauteloso e paciente, mesmo quando se sentia convicto de que suas idéias e conclusões estavam corretas.

terça-feira, setembro 29, 2015

DE ONDE VEM NOSSO ALMOÇO

Nunca cruzei com uma pessoa, na cidade, que tivesse interesse em saber como chegam a ele os produtos de seu almoço. A vida rural é que viabiliza a vida urbana, mas pouca gente se lembra disso. Um indivíduo que nasceu e vive numa metrópole raramente se detém para pensar como o feijão veio parar na sua panela ou como uma caixa de cenouras chegou à quitanda, de onde comprou. Um amigo contou-me que, ao visitar uma fazenda com seus dois filhos, esses faziam tantas perguntas sobre o que era o que viam que se sentiu o mais ignorante dos pais. O caçula do dono da fazenda teve que vir em seu socorro e pacientemente dedicou a tarde inteira a ciceronear as crianças pelos pastos, currais e lavouras. Os caipiras da cidade queriam saber, desde como o leito ia parar na caixinha de papelão, quanto porque o café era vermelho e não preto como aquele que estavam acostumados a tomar de manhã.   
O lavrador nunca foi exemplo de cultura e erudição, longe disso. A imagem que vem, espontaneamente, ao citadino é a do Jeca Tatu. Mas, embora a vida rural tenha representado, historicamente, o papel de reserva da ignorância e do analfabetismo, muita coisa mudou. Hoje, produzir alimentos para abastecer a cidade é um empreendimento como qualquer outro que se desenvolve numa grande cidade.

Mas o que desejo destacar é outra questão. Embora nosso país não tenha uma forte tradição de romantizar a vida junto à natureza, há, e de certa forma sempre houve, um pequeno contingente de pessoas que poetizam a vida da roça. Alguns com exagero, mas outros, sem fantasias irreais, defendem a escolha de viver num ambiente mais natural, sem poluição, sem ruídos desagradáveis e longe da correria das grandes metrópoles dos dias de hoje. Imagino que  é extremamente difícil encontrar alguém que não se emociona quando vê, no horizonte, entre os picos escuros das montanhas, um pôr de sol, com o céu pincelado de nuvens douradas e sem formas definidas sobre um fundo azul esmaecido. Nesse momento pode olhar ao redor e admirar as matas e os pastos salpicados de gado branco e pequenas torres de terra dos cupins operosos. É uma satisfação que não se consegue sentir na cidade e seu horizonte de arranha céus. 

sexta-feira, setembro 11, 2015

TEM AMIGO QUE É MAIS QUE AMIGO



Uma historinha contada por John Adams,lá no final do século XVIII, é muito reveladora e tocante. Vale lembra que Adams, um dos pais fundadores dos Estados Unidos da América, foi, depois, presidente daquele país.
 Disse ele: um amigo me contou que viu um mendigo na rua próximo a sua casa, sentado na calçada, acompanhado por um cão. O homem era muito magro e tinha sinais evidentes de que passava fome a maior parte do tempo. Seu cão também parecia não levar uma vida melhor, pois mostrava as costelas por baixo do pelo sem brilho e cheio de falhas. O amigo de Adams condoeu-se pelo pobre homem. Foi até a cozinha e pediu para a cozinheira prepara uma tigela de comida, com feijão, carne e biscoitos.

 Levou a vasilha para o mendigo  que estendeu a mão suja para receber o presente, agradecendo. O cão, sentindo o cheiro de boa comida, agitou o rabo e grunhiu. O homem separou os pedaços de carne e deu ao cão que comeu com desespero. O amigo de Adams vendo aquela cena, não se conteve e interpelou o mendigo, o aconselhado a se livrar do cão em vez de repartir a comida com o animal. Mas este retrucou: se eu não repartir a comida com ele, quem vai me amar? 

terça-feira, agosto 11, 2015

Pergunta impertinente: Afinal, a riqueza trás ou não a felicidade?



Gosto de chamar esse tipo de pergunta de pergunta de segunda ordem, ou seja, ela trás em seu bojo uma série de pré-conceitos que, se não forem analisados antes, não adianta responder a uma pergunta desse tipo, pois ela pode não ter sentido algum e responder sim ou não, pouco importa. Se você estiver fazendo uma pesquisa para ver o  que  pensam as pessoas vá lá, pode ser que faça algum sentido. De qualquer forma se noventa e nove por cento das pessoas pesquisadas responderem sim em vez de não, ou não em vez de sim, revela apenas opiniões e opiniões não são critérios de verdade. Quando se faz uma pergunta dessa, revela-se que as pessoas buscam felicidade fora de sim, em coisas, em outras pessoas, em consumismo, em festas, em viagens a lugares fúteis. Antes de tentar responder uma pergunta como essa, não faz mal nenhum perguntar se a felicidade está na diversão, na gastança, no luxo ou está na vida simples, na vida regrada, modesta mas suficiente. Pode-se também analisar a possibilidade de a felicidade ser encontrada na compreensão da vida, no autoconhecimento, na sabedoria de fazer escolhas que não tragam prejuízos físicos, psicológicos e financeiros. A maioria das pessoas passa suas vidas sem exercitar seus músculos mentais e usam o tempo consumindo as energias do corpo muito próximo da forma como vivem os animais. Vivemos rigorosamente do cultivo de uma espécie de pobreza de espírito, talvez acreditando que com isso conseguiremos acreditar que somos eternos, indestrutíveis e inteligentes o bastante para enganar a casualidade, a corrosão do tempo e a precariedade da vida. Mas, a todo o momento vemos gente surpreendida pela morte, pelo acidente furtivo, pela doença inesperada, pelas amargas conseqüências de escolhas feitas sem avaliações críticas. Muitos acordam tarde de mais para descobrir que viver não é uma eterna brincadeira e que a tragédia ou a boa sorte tem mais ou menos a mesma probabilidade de nos surpreender a qualquer momento. 

terça-feira, junho 30, 2015

ESQUILOS E FRUTOS

O alto do muro, coberto de mofo cinza, era uma espécie de estrada para os esquilos. Os dois desciam pelo tronco da árvore de cabeça para baixo e saltavam para o muro. Dali, corriam até a outra árvore, alcançavam o galho mais baixo e desciam ao pé da palmeira. O chão estava forrado de coquinhos amarelos. O primeiro esquilo pegou um coquinho, correu até um monte de pedra e ali começou a descascar o fruto. O outro subiu pelo tronco da palmeira até o cacho, olhou para baixo e, em vez de derrubar ou tentar colher os coquinho, voltou correndo para baixo, pulou no chão, catou um fruto e subiu novamente no trono. Um metro acima alcançou uma espécie de ninho de orquídeas e bromélias que cresciam agarradas à casca da palmeira, escorou as costas no trono e passou a roer o fruto, calmamente. Não havia sol e o céu, coberto pelas nuvens, parecia prestes a despejar água sobre a mata, ainda úmida da última chuva. O lombo do esquilo que roia o coquinho sobre as pedras estava molhado e uma pequena folha parecia colada abaixo de suas orelhas. Um pássaro pousou no galho da árvore próxima. O esquilo olhou para ele, piscou as pestanas e voltou a roer o fruto. O pássaro desceu ao chão, mas não estava interessado nos coquinhos. Bicou a terra em alguns lugares, achou uma lagarta nas folhas do ramo, pisou sobre os coquinhos e saiu saltitando em busca de uma borboleta que rodeava uma flor branca do jardim.
Eu, quieto, os observa, controlando até a respiração. Nada no mundo me faria interromper aquele momento em que, concentrados em roer seus coquinhos, sentiam-se sem nenhuma ameaça visível.  
Quantas dificuldades não enfrentariam em sua constante corrida à procura de comida!                        
Na floresta, não havia muitas outras palmeiras com coquinhos como aquela. Nem todas as árvores dão frutos comestíveis e as que frutificam não produzem em qualquer época. Deve haver períodos em que fica extremamente difícil encontrar alimentos e deve ser trabalhoso para eles evitar a fome.
Nós humanos damos muito valor a uma casa, aquele refúgio, da janela do qual observamos o mundo. Mas, onde seria a morada desses animaizinhos? Teriam uma toca no troco de um velho ingazeiro ou quem sabe uma caverna nas pedras da encosta da montanha? Teriam filhotes, que naquele momento estivessem dormindo em suas camas de musgos no fundo daquela abertura na rocha? E quantas horas do dia passariam correndo pelos troncos, galhos e penedos a procura de comida?
Imaginei que fossem um casal embora nem conseguisse ver diferença de tamanho ou de cor dos pêlos entre um e outro. Era possível que fossem eles um casal.


Seria um casal permanente ou na próxima estação sairiam cada um para seu lado, a procura de novas parcerias?

Depois de roer uma dúzia de coquinhos, o esquilo que estava sobre as pedras correu pelo chão, saltou no galho mais baixo da árvore e partiu, pulando de um tronco ao outro. Seu parceiro olhou por um momento em minha direção, lançou o coquinho para longe e correu atrás do outro esquilo. Rapidamente desapareceram na folhagem.

quinta-feira, maio 07, 2015

AS LEIS NÃO SÃO MÁGICAS

Eu vinha pela rua, atravessando na chamada faixa de pedestre, quando um carro apareceu bruscamente e, sem ligar a seta, dobrou à sua esquerda em minha direção. Eu já estava quase no meio da rua, e o motorista do carro tocou na buzina em advertência e passou rapidamente pelo espaço entre eu e a calçada, a trinta centímetros de mim. Instantaneamente subiu-me um ódio do motorista apressado e lembrei quase simultaneamente da lei de direitos do pedestre. Era uma raiva, inicialmente contra o tal motorista, mas depois foi se desviando para as leis de trânsito. Perguntei a mim mesmo como seria minha raiva se não houvesse nenhuma lei de trânsito?  Estaria eu menos protegido do que estive naquele momento, com todas essas leis e esses regulamentos de trânsito?. Afinal, para que serve a lei? Ou precisamente: essas leis tem alguma funcionalidade para me proteger, talvez por meio de  algum poder divino, de não ser atropelado?

O problema dessas leis, como muitas outras,  é que demandam um aparato policial, demandam vigilância, demandam um corpo de pessoal com a função, ou de forçar as pessoas a cumprir as leis, ou de castigar. Agora, quantas faixas de passagens existem em São Paulo, quantos cruzamentos em encontros de ruas e avenidas, sendo a cada momento utilizados pelos milhões de pedestres?
Para que leis, com a intenção de proteger os pedestres, fossem realmente eficientes, seria necessário  um policial em cada esquina, ou uma autoridade qualquer, com o poder de multar, prender ou pelo menos inibir esses atos. 

quinta-feira, abril 16, 2015

INTELIGÊNCIA OU SABEDORIA

Quero trabalhar a questão da diferença entre “inteligência e sabedoria” visto que nos tempos atuais a palavra sabedoria entrou em desuso e com isso a diferença entre ambas as expressões também se esvaneceu.  E isso é lamentável.
Inteligência é um componente da sabedoria, mas não é sabedoria. Sábio, como entendo, é todo aquele que antes de agir ou falar mede as conseqüência posteriores e tem inteligência suficiente para saber se essas conseqüências serão boas ou más. 
Inteligente é aquele que aprende rápido, domino conhecimentos úteis. Por exemplo, uma pessoa pode ter o domínio da matemática, da música ou da marcenaria, isso é ser inteligente nessas questões. Já sabedoria tem um sentido abrangente, não especifico. Portanto, sábio é todo aquele que tenda desvendar todas as relações de causa e efeito, entender a natureza humana e saber como agir sem negá-la. O sábio seria todo aquele que usa a inteligência para compreender, para ver, nas relações humanas diretas e, nas relações humanas com a natureza, os efeitos e conseqüências dos atos e escolhas tanto de si mesmo quanto dos seus semelhantes. O sábio não fica comprometido com ideologias ou religiões, pois tem uma consciência ampliada, vê o mundo em quatro dimensões, ou seja, percebe que as três dimensões estão inseridas numa quarta dimensão que é o tempo. Isso quer dizer que compreende que é um produto da história, que vive as conseqüências das escolhas de gerações passadas, que muita coisa do presente é efeito e não causa. Portanto seus recursos para mudar a realidade são limitados, quando não impotentes.  Como diria Sócrates, o filósofo grego do século V antes de Cristo: “Só sei que nada sei”. Ele conhecia suas limitações, por isso era um Sábio.

O antônimo de inteligente é inepto. O antônimo de sábio é néscio. Portanto inteligência é oposta pela inaptidão e a sabedoria é oposta pela necedade. 

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

VIZINHOS E ESTRANHOS


Eu morava na cidade, cercado de vizinhos com suas casas de muros altos e portões automáticos. O morador da casa ao lado saia cedo. Ouvia apenas o barulho do motor de seu automóvel e o latido do cão de guarda. O vizinho da frente saia toda manhã para caminhar e voltava meia hora depois, me desejava bom dia quando me via saindo, fechava o portão de grade e sumia no interior da casa. Num raio de uma centena de metros havia quase vinte casas bem construídas; a maioria assobradada e ampla. Apesar dessa proximidade, ninguém conhecia ninguém por nome. Cumprimentavam-se quando ocasionalmente cruzassem pela calçada ou quando um deles saia da garagem com seu carro e o outro do outro lado também manobrava o veículo para ir ao trabalho.
Vivíamos numa grande cidade mas não éramos uma comunidade. Ninguém saia de casa ao anoitecer para visitar o outro e prosear por algumas horas. Cada um cercava seu mundo com muros altos assim como levantavam paredes reforçadas em volta de suas habitações.
Certo dia, abri a janela e vi o vizinho da frente, aquele que gostava de fazer caminhadas nas primeiras horas da manhã. Estava abrindo seu portão, quando dois sujeitos estranhos se aproximaram. Um deles apontou uma arma para o homem e pediu a chave do carro. Os dois elementos pularam dentro do veículo e manobraram rapidamente para fora. O vizinho olhava paralisado. Antes de acelerar em disparada o assaltando passageiro esticou o braço com o revolver e atirou. O vizinho dobrou o corpo e caiu no chão. Corri ao telefone e disquei para a policia e para o pronto-socorro. Depois desci correndo e sai na rua. Já havia uma meia dúzia de pessoas, inclusive a esposa do vizinho que chorava agachada segurando a cabeça o homem, enquanto ele gemia com a mão no peito. Quando o pronto socorro chegou, a vizinhança estava toda na rua, em volta do ferido. Vi o vizinho do lado direito, o vizinho do lado esquerdo e os vizinhos do outro lado da rua. Estavam ali mais de vinte pessoas, todos preocupados, angustiados e inquietos.
Logo estávamos todos conversando e criticando a falta de segurança, a impunidade, a ineficiência da justiça e a imoralidade dos políticos. Todos nós falamos uns com os outros como se fossemos velhos amigos.
Enquanto o ferido convalescia no  hospital, todos nós, em horários diferentes, fomos visitá-lo e prestar nossa solidariedade. Agora sabíamos o nome de cada um de nossos vizinhos e por alguns dias fomos uma verdadeira comunidade. Um convidava o outro para visitá-lo e tomar um café, enquanto o morador da casa de muros altos  se oferecia para ajudar a família da vítima se precisasse.

Com os passar dos dias e com o retorno do vizinho do hospital a vida foi lentamente voltando a rotina e todos paramos de nos falar uns com os outros. Alguns meses depois vivíamos como dantes, próximos e isolados. Voltamos a ser uma cidade sem comunidade.

sexta-feira, janeiro 16, 2015

DEPOIS QUE TUDO PASSA, O QUE FICA?

Nosso corpo é finito, nasce da combinação de moléculas e termina com  a desagregação das mesmas moléculas. Antes de ser gerado nós não existíamos, depois de gerado, crescemos, ficamos adultos, envelhecemos e depois morremos, desmanchando toda aquela combinação extremamente complexa de átomos  e tudo o que sobre são moléculas primárias. Nossa pessoa deixa, então de existir, sobrando apenas alguns agregados de cal por mais algum tempo. Antes não existíamos, depois não existiremos mais. O que fica?
Ficam nossas obras. Podem perdurar as conseqüências de nossos atos e as marcas de nossa ação. Quando Leonardo da Vinci montou a tela no fundo do ateliê e começou a esboçar os traços que iam terminar numa das mais famosas pinturas de todos os tempos, pensava no futuro, na imortalidade daquela obra? Pintou ele a Mona Lisa com a intenção de tornar sua pintura uma arte para durar a eternidade?

Da mesma forma podemos imaginar Platão, depois de presenciar seu mestre beber o veneno de  sua sentença, sofrer a angustia de vê-lo apagar lentamente com apenas alguns gemidos, mas, ao mesmo tempo, desejando que todos os que estavam a sua volta continuassem a levar suas vidas da melhor maneira possível. Platão deve ter saído dalí  com a idéia de contar a história de seu mestre e, com isso, imortalizar tanto os atos de Sócrates quanto as suas próprias idéias e crenças. Quando decidiu escrever “A defesa de Sócrates” estaria imaginando que, com isso, deixaria para a posteridade uma obra imortal?

terça-feira, novembro 04, 2014

DUAS FORMAS DE EXPROPRIAÇÃO


Quais são as duas formas de tirar uma parte da renda de quem trabalha honestamente?
A primeira é através do assalto a mão armada. A segunda é através do Estado, por meio da cobrança de impostos. A diferença entre um e outro é que o assaltante não dá justificativa pelo que faz. Já o Estado diz que está tirando parte dos seus rendimentos para cuidar da sua saúde, da sua segurança e da sua educação. Se você reclama que não consegue tratar de sua doença com os impostos que paga, nem tem segurança, muito menos escola decente para colocar seus filhos, o agente do estado vai dizer que isso é problema do Estado e sua obrigação é de pagar corretamente os impostos e não ficar reclamando.

Se você for assaltado e disser ao bandido que não vai passar a carteira, leva um tiro e morre. Se você não pagar os impostos, fica sem suas propriedades e ainda vai preso. O bandido que o matar receberá proteção dos milhares de movimento pelos direitos humanos e, com um pouquinho de sorte, terá 95% de chance de jamais ser preso. Já, com o sistema informatizado do Estado, sua chance de não ser pego, processado e preso, é praticamente zero.

terça-feira, outubro 28, 2014

O PT E O PRI MEXICANO


Abel Aquino

Neste ano tivemos dois eventos que pararam todo o país: a copa do mundo e as eleições.Os dois momentos foram recheados de apelos ao patriotismo. Eu torci pela Seleção Brasileira sentindo impotente e, ao mesmo tempo, desempenhando o papel de otário. Na verdade, está cada vez mais difícil ser patriota nesse país. Aliás, ser  patriota sempre me pareceu uma postura idiota. Ter orgulho do lugar onde nasceu é como acreditar que se tivesse nascido na China não seria a mesma coisa. É uma crença estúpida. De qualquer forma, eu tinha razão nas minhas angustias, pois não foi fácil ver a goleada da Alemanha em cima da gloriosa seleção canarinho. Ser torcedor é como ter vontade de pegar um objeto e estar com as mãos amarradas nas costas;  você nunca pode fazer nada, a não ser gritar de alegria quando a seleção ganha ou chorar de tristeza quando perde. Isso é muita impotência para um ser humano só.
Agora falando da eleição, tive o mesmo sentimento de estar com as mãos amarradas por não  conseguir dar uma pitada sequer nos rumos da política. A Dilma e o Aécio, os dois finalistas, sendo ambos de esquerda, deixaram-nos a opção entre uma esquerda” lobo vestida com pelo de cordeiro” e uma esquerda, digamos, “civilizada”. Uma anêmica opção e deprimente, para piorar. Na verdade, senti que precisava escolher, não na idéia do mal menor, mas na de que com o Aécio era uma importante tentativa de tirar os lobos famintos que há doze anos corroem as instituições brasileiras. O desejo de ver uma nação mais livre do peso morto do Estado ficaria para o incerto futuro. O resultado foi muito curioso, dividiu o país entre os que não precisam de favores políticos e os que sem o bondoso Estado passam fome. Como a pobreza é útil!
Acredito que o PT tem a faca e o queijo na mão e pode ficar algumas boas décadas no poder. Imagino que  arriscas se transformar numa espécie de PRI mexicano, mantendo o poder e o país por varias décadas no atraso e na servidão. Nas próximas eleições, basta acusar o adversário de que tem a intenção de acabar com a Bolsa-Familia e, imediatamente, garantirá uns quarenta milhões de votos rumo a um novo mandato. O PT institucionalizou a compra de voto e em escala monumental, como nunca neste país.....

 Agora saia dessa, oposição!

sexta-feira, outubro 24, 2014

COMO! A PETROBRÁS É NOSSA? QUERO MINHA PARTE

Abel Aquino

Hoje, dialogando com um eleitor da Dilma ouvi, em alguns minutos, todos aqueles chavões da esquerda brasileira. Disse ele que a Petrobrás é do povo, é patrimônio da nação, que acredita que a Dilma não sabia de nada e que vai recuperar a empresa. Disse que só o PT preocupou com os pobres e que o PSDB é partido da elite. Para espantá-lo um pouco eu afirmei que admirava saber que ele se sentia dono da Petrobrás porque eu era incapaz de ver minha parte naquela empresa. Com que base ele afirmava que ela é do povo? Não soube Responder. Disse a ele que todas as acusações de que o PSDB é privatizante e que queria vender a Petrobrás me decepcionaram. Me decepcionaram porque sabia que não era verdade, pois tinha certeza de que o PSDB é tão ou quase tão estatizante quanto o PT. Por mim, acabaria com todas as estatais do pais, privatizaria tudo. Ele arregalou os olhos.
 Eu perguntei:  se a corrupção dominar a empresa em que você trabalha,o que acontece? Ela quebra, não é? Quebra e fecha. Agora quando um dirigente de uma estatal  desvia dinheiro até deixá-la a míngua, o que acontece? Ela quebra e fecha? Respondeu que não. Pois, então, continuei, toda e qualquer estatal corre, permanentemente, o risco de tornar-se instrumento de uso político. Desvirtuar a função de uma empresa por interesses particulares é fácil quando essa empresa está sob controle de governantes ávidos de poder ou que querem obter altos beneficio com o uso desse poder. O rapaz abaixou a cabeça e balançou os braços, visivelmente incomodado. Então considerei a conversa por encerrada, certo de que não tinha conseguido abalar suas convicções.
Eu sempre fico estarrecido quando encontro alguém que acredita que a Petrobrás é nossa, considerando esse “nossa” como todos os brasileiros. É uma crença tão sem base real quando a crença no Papai Noel, entanto persiste altaneira e sem arranhões ao longo de décadas, como verdade tão sólida quando a ingenuidade média do povo.
Juro que tentei, por meio de repetidos momentos de meditação e atos de renuncia, sentir-me parte da Petrobrás, talvez imaginar qual parte daquelas torres fumacentas, daquele enormes tanques cheirando betume, daquelas imensas plataformas balouçando no mar, mas fracassei.Não descobri nenhuma maneira de ver, apalpar ou reinvindicar a parte da empresa que me pertece como cidadão brasileiro, pagador de pesados e sufocantes impostos.

Há muito tempo desisti de acreditar, se é que alguma vez acreditei, que tenho alguma parcela, por menor que seja, da Petrobras. Para mim sinto-me que ela é tão parte de mim quanto um iceberg que se desprende da calota polar no verão.  Sou tão obtuso que não consigo perceber qual seria a diferença de abastecer meu carro com gasolina feita por uma empresa brasileira ou por qualquer outra. Sei que não há dificuldade nenhuma em perceber que me interessa a qualidade desse combustível, em primeiro lugar e, em segundo, o quanto pago por ele quando vou abastecer o carro.  Qualquer pessoa com um mínimo de cultura econômica sabe que o preço que pago é determinado por duas condições, que os economistas chamam de variáveis, ou seja, quanto se produz e quanto se compra. É a mecânica da oferta e da procura. Se tem mais gasolina pra vender e menos gente pra comprar o preço tende para baixo, se há menos gasolina e mais consumidores, o preço tende para cima. Outra coisa, a oferta depende de quantos a oferecem; se só um produz e vende, ele pode manipular o preço e sacrificar a demanda. Se só alguns produzem e vendem, esses podem estabelecer um conluio, controlar a oferta e, com isso, distorcer os preços a seu favor. Já quando muitos produzem e muitos  vendem, o consumidor passa a ser privilegiado, tem até certo ponto, poder de ditar os preços. Todas essas situações podem acontecer independentemente de serem os produtores nacionais ou estrangeiros. Dizer que é um bem incalculável poder se vangloriar de ter uma gigante petroleira, puramente nacional, e que nos abastece carinhosamente com bom e barato combustível, é contar piada de mal gosto. Por muitas razões isso é um engodo. Nossa gasolina não é a mais barata do mundo e muito menos a melhor. Pelo contrario, os carros importados precisam de custosas adaptações para funcionar com esse nosso combustível de quinta categoria.  24/10/2014

quinta-feira, maio 29, 2014

SERENIDADE



 Quem procura diversão, busca esquecer?
Talvez queira excitar o corpo e a mente
Ou cansar as pernas e distender os músculos.
Mas também há diversão em sentar
 - Despreocupado -num tronco caído e soprar a gaita.

Posso até tirar prazer do barulho da chuva
Ou ouvir o gorgulhar do riacho lavando as pedras,
Quem sabe cortando lenha, varrendo o quintal.
Viver é mais do que fazer festas, encontrar amigos,
Rir do mundo e contar o tempo
Como aquele que tem pressa do amanhã
E esquece que a vida é curta depois que passa.

Gasto o dia colhendo tomates e limpando o terreno,
Ao mesmo tempo que os pássaros ligeiros
Reviram a terra e bicam insetos.

Posso não fazer nada em qualquer dia,
Ter a liberdade de observar e escutar
Admirar as formas de árvores centenárias,
Folhas rodopiando em direção do solo

E exclamar: pra que ter pressa!

sábado, dezembro 21, 2013

CULTURA E LAZER, LITERALMENTE




Abel Aquino

Na chácara, passamos um mês comendo tomate, do pequeno, cujo pé havia nascido por acaso. Deixei que crescesse. Quando ficou da altura do meu peito, estava caído para os lados. Então cortei três varas, fiz uma escora e a  armei sobre o tomateiro. Amarrei seus delicados troncos nessas madeiras. Em pouco tempo, ficou carregado de tomatinhos. Eles eram comidos em forma de salada. Eu os cortava em duas partes, colocava numa bandeja, acrescentava azeite, shoyo, cebola fatiada e limão. Era um prato especial.
Aproveito a deixa para dizer que, embora nosso terreno seja diminuto, apenas 1.550m2, sendo que 400m2 é ocupado pela construção da casa, mesmo assim plantamos e colhemos uma enorme variedade de legumes. Temos, então,  todo ano,  abóboras, pimentas, cebolinhas verdes, pimentões, jilós e até bananas.  
Fico admirado como a natureza é pródiga e só uma pessoa muito sem ânimo ou descuidada é capaz de passar fome sobre seu pedaço de terra. Conheci, em Goiás, gente passando necessidades mesmo vivendo em vários hectares de terra. Suas moradias estavam cercadas de mato e a lavoura definhava sob as chamadas ervas daninhas. Criavam galinhas e porcos, muitas vezes soltos pelo terreno. As galinhas circulavam por dentro das suas residências, defecando na sala e na cozinha, deixando no ar um cheiro de enxofre desagradável.  Conheci um sitiante que construíra os ninhos de suas aves na sala. Perguntei do porque deixava as galinhas chocarem seus ovos na sala: disse-me, com simplicidade, que era para os bichos não as comerem. No interior da residência a ninhada estava protegida. Era muito raro ver hortas. Quando muito, formavam pequenos canteiros de cebolinhas e pés de plantas aromáticas ou medicinais.
Acredito que esses comportamentos parecem ser uma espécie de regressão à vida mais primitiva. São “brancos” que perderam os costumes mais urbanizados e contemporâneos. De qualquer forma, isso revela o quanto é frágil a evolução cultural do ser humano. Qualquer descuido e volta ele à época das cavernas, pelos menos em termos de costumes. 
Mas, voltando a falar da nossa diminuta chácara, não posso esquecer que interagíamos com a natureza.Usávamos nossas temporárias estadias como momentos de relaxamento e reflexões. Quando tive que regularizar o terreno, fui obrigado a derrubar uma meia dúzia de arvores, ato pelo qual fui multado pela Polícia Florestal. De qualquer forma, a casa ficou ilhada no meio da mata, com frondosas árvores cercando os quatros lados do terreiro.
Com essa proximidade, somos, com freqüência, visitados por bugios, macacos pregos, e até sagüis barulhentos. Nossos mais assíduos vizinhos são as sabiás, as corruíras, os bem-te-vis e os Joãos-de-barro. Vários outros pássaros freqüentam nossa redondeza,  mas ainda não foram identificados. As  beija flores fazem ninhos na lateral do telhado e os tucanos comem coquinhos do Jerivá carregado, grasnando de forma desagradável.

Os fins de semanas que passamos nessa chácara são a melhor forma de recarregar as baterias e dar descanso ao corpo, depois de uma semana agitada na maior cidade da América do sul. Sem contar que, nesses dias podemos comer melhor, elaborando nosso próprio e variado cardápio, gozando de forma saudável dos prazeres de alimentar-se bem, dormir até mais tarde e de relaxar a vida, ouvindo o canto dos pássaros e o barulho do vento nas folhas das árvores.

terça-feira, agosto 06, 2013

CÍRCULOS CIRCULARES


Curvo o tempo como dobro folhas,
Salto o vazio como salto trampolim
E corto as amarras enquanto vivo,
Pisando preceitos enquanto fujo.

Do outro lado há muitos espelhos
E desde, ficam todas as formas e sombras.
Por mais que eu reforme e modifique,
Tudo precisa ser ainda refeito.

Alguns acreditam na sorte furtiva,
Outros, nos rudes calos da mão.
Aqueles esperam o giro da roda
E estes, os frutos quase maduros.

Por fim me dobro exausto e frio.
O peso do atrito dos gonzos
Vai esmagando meu peito anêmico

Entanto sei que é apenas o recomeço.

quarta-feira, julho 24, 2013

UM CORPO NO RIO

Todo mundo tinha medo da correnteza naquele ponto do rio. As margens ficavam estreitas e as pedras negras e sempre molhadas da margem empurravam a água turva para o meio, onde rodopiava, encrespada, e descia velozmente por mais de cem braças até encontrar o remanço.
Marcilio parou sua montaria junto ao barranco e ficou, por alguns minutos, observando a corredeira. De vez em quando os raios do sol da manhã brilhavam na barriga prateada de peixes que desciam saltitando por entre as pedras.
De repente viu o corpo de uma pessoa rodando pela correnteza, de bruço, com a roupa rasgada, os braços abertos e balouçando nos movimentos da água. Por um momento Marcilio acompanhou o corpo, fustigando o cavalo e percorrendo a margem do rio, mas logo adiante o mato impedia a passagem e teve que afastar. Contornou o mato e, metros à frente, voltou a se aproximar da margem. Perscrutou a água mais não viu mais o corpo.
Resolveu voltar para casa. Depois de espalhar a noticia, os vizinhos curiosos desceram correndo em direção do rio para ajudar Marcilio a procurar o corpo. Ficaram a tarde toda percorrendo as margens acidentadas, mas não encontraram nada. Marcilio ia a frente com o facão na mão, abrindo caminho no capim alto do brejo.
Depois de duas horas de procura começaram a duvidar da história.
Marcilio, você deve Ter visto coisa demais, disse Fúlvio duvidando.
Não sou maluco, sô, respondeu Marcilio. – Vi muito bem; era um defunto boiando na água, sim!
Mas então deveria estar parada nesse remanço agumentou Crispim.
Era um defunto,sim, repetiu Marcilio já impaciente.
Eu não vou procurar mais não, concluiu Fúlvio. – Daqui um pouco escurece e a gente não pode ficar aqui para ser picado por cobra nesse matagal besta.
A gente pode não achar o corpo, justificou Marcilio. – mas que eu vi, eu vi.
Voltaram para suas casas, conversando, uns achando que o rapaz estava maluco, outros dizendo que poderia até ser verdade, mas faltava o corpo para tirar toda dúvida. Marcilio ficou alguns passos para trás, resmungando. Sabia que aquilo iria virar motivo de chacota mas estava confuso. Olhou para trás ouviu o barrulho da correnteza e pensou: será que eu me enganei?

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

LONGE DA LUZ



Há momentos em que vejo o avesso,
As coisas de cabeça para baixo,
Os seres humanos sem suas carapaças e
as sabiás fora das gaiolas.

Alguém me avisa que o tempo passou,
que as chuvas seguiram para o norte e,
enquanto olho pegadas na lama,
o sol sobe pela montanha molhada.

O mundo mudou ou foi o rio que fluiu?
A tarde caminha com as nuvens,
mesmo quando não tenho pressa
e meu trabalho dobra a última folha.

Mas vejo o outro lado da parede.
sabe, quando querem ocultar,
quando lançam palavras suaves
Desviam nosso olhar do óbvio?

Sinto que fui outra vez ludibriado
assim como quem percebe tarde
que existe o subterrâneo oculto
e outro mundo respira sem luz.





quarta-feira, janeiro 02, 2013

Engaiolado junto aos Pássaros

Costumo dizer que adoro ouvir o canto dos pássaros, mas, diferentemente daquelas pessoas que engaiolam essas aves canoras em volta da casa, eu construí minha gaiola no meio deles e, assim, cercado de mata, posso sentar no banco da minha varanda e ouvi-los gorjear pelo terreiro, no alto das árvores ou pousados nas rochas cobertas de liquens. Os bugios costumam vir até às árvores frutíferas que tenho junto ao muro e comem os frutos da nespereira despreocupadamente. Quando aproximam, o macho maior fica no alto do galho mais elevado, observando, enquanto o restante do bando desce aos galhos carregados de bagos amarelos. Depois que constata que somos amigos e não demonstramos intenções agressivas, ele sai de seu posto de guarda e vai comer com os outros. Além dos bugios recebo as visitas de sagüis e macacos- prego. Eles usam as árvores como estradas e todos passam pelos mesmos galhos e saltam de um trono a outro no ponto mais fácil e aparentemente já conhecido, pois raramente mudam de rota. Os bugios são mais barulhentos, embora os sagüis pratiquem uma linguagem estranha de chiados que lembram assobios agudos. Percebo, de vez em quando, a presença de um lagarto, um teiú enorme; deve ter um metro de comprimento e quando aproximo saí em correria, quebrando galhos secos e pulando por sobre pedras e troncos com agilidade. Temos o costume de misturar o lixo orgânico com terra fazendo um monte de futuro adubo para as plantas e para a horta, uma compostagem. A noite tínhamos a visita de um gambá que aparecia para revirar o monte a procura de restos de comida. Ele caminhava pelo muro e descia pelo galho da pitangueira. Outro dia encontrei-o morto junto a cerca. Examinei seu corpo, mas não vi marcas de ferimento ou outro indicativo da causa da morte. Seu pêlo estava vívido e denso, indicado que gozava de boa saúde. De qualquer forma não descobri a causa de sua morte. Enterrei-o perto do pé de juçara. Num domingo chuvoso vimos uma preguiça tentando atravessar a estrada. Alguns carros pararam e os motoristas saíram para tentar retirá-la do meio do caminho. Fui até lá e pedi para que deixassem eu levá-la para a mata no fundo da minha casa. Dalí o bicho foi lentamente subindo na árvore e, em pouco tempo desapareceu na mata. Tive a impressão de que, embora movimente-se lentamente, é capaz de ir de galho em galho o mais rápido do que se imagina.

terça-feira, julho 17, 2012

QUE PREDADOR É ESSE?

Há muitas maneiras de caminhar por uma trilha da mata assim como caminhar por uma rua movimentada da grande cidade. A gente pode estar sendo observada por algum predador; na floresta pode ser um felino tal como uma onça e na metrópole pode ser um predador da mesma espécie humana. Mas caminhar pela selva tem sua vantagem, a começar pelo ar sem fumaça de automóveis, nem pelo tumulto do excesso de gente.Quando tenho tempo de seguir alguma trilha marcada por pedras ou copas de velhos cedros floridos, imagino que uma espécie de ancestralidade animal me liga mais fortemente aos esquilos que catam os frutos das árvores do que aos seres humanos que habitam a cidade, principalmente porque não sei que tipo de educação receberam e que meios de vida escolheram para garantir seu sustento. Muitos animais humanos aprendem a viver de outro tipo de predação que não a do felino. O meio de vida da onça é o da caça a outros mamíferos, mas o meio de vida de muitos seres humanos apoia-se no mimetismo e na linguagem da dissimulação. Não é fácil proteger-se de predadores que cultivam e aperfeiçoam continuamente os recursos do disfarce e do fingimento.