Conhecer é interpretar o que sensibiliza nossos sentidos, processado pelo cérebro em forma de interpretação da realidade. Mas ao subtrair os dados da realidade, a mente cria um mundo próprio, quase independente. É aí que surgem as distorções, os vieses, as tendências. Isso é inevitável. Podemos apenas minimizar essas distorções, nunca anulá-las. Assim, para construir uma realidade mental que não entre em conflito com a realidade que está fora de nós, dedicamos incansavelmente a ajustar, a rever, a aperfeiçoar nossas interpretações do mundo. Uma crença nada mais é que uma interpretação abstraída da realidade e congelada no tempo e no espaço. Uma convicção que se sustenta em possibilidades, em certezas temporárias pode evoluir, corrigir-se, adequar a novos dados. Já uma crença pode estar apoiada em dogmas e o ser humano gasta suas energias, não em aperfeiçoá-la, mas, sim, em justificá-la permanentemente.
Viver é praticar liberdade. Quando o ser humano depara com obstáculos, usa sua criatividade para superá-los. Quando o ser humano depara com proibições começa a definhar.
quarta-feira, novembro 09, 2022
quinta-feira, junho 16, 2022
EUDAIMONIA
Os estóicos, ao confiar que por trás da natureza humana está a razão, continuaram dividindo o ser humano entre sua natureza e a consciência dela, como se sem a consciência e com ela a capacidade de usar a razão para se controlar, o ser humano não passaria de uma besta fera. Embora advogavam uma espécie de vida natural, em conformidade com a sua natureza, apelava para o uso da razão para controlar sua própria natureza. Isso é uma contradição que vemos no Cristianismo, por exemplo, que substitui a razão pela fé, pela obediência a normas sagradas.
A felicidade não tem como ser permanente. Então não existe a possibilidade de se ter uma vida feliz, ou viver permanentemente num clima de felicidade. A felicidade são momentos, fazes curtas de nossas vidas.
Se eu tiver uma dor de dente, não posso estar ao mesmo tempo feliz. A vida é competição, risco, perigo, atacada constantemente por bactérias, vírus, fugos, protozoários, e tantos outros invasores de nosso corpo, sem contar com as ameaças vinda do meio ambiente, dos acidentes, dos acasos, da sorte ou falta dela. Como viver permanentemente feliz?
Pefiro falar na boa vida. Meu esforço para criar um modo de vida que facilite a conquista e a retenção de uma vida satisfatória. Essa boa vida é a “eudemonia” que aplico como sinônimo de “boa vida” e não de felicidade como comumente se traduz.
Então a “eudemonia” é nosso objetivo que não se alcança por meio de exercícios, esforço de vontade, obediência a preceitos ou controle das paixões e instintos.
A busca pela “eudemonia” é indireta. Na realidade, acreditamos que ela se estabelece espontaneamente a partir do momento em que adquirimos ciência das coisas e de nós mesmos. A “eudemonia” é fruto da busca de conhecimentos e da incorporação deles por nossa mente.
Antigamente os seres humanos viviam dominados pelo medo, pois ignoravam muitas coisas e o desconhecido sempre apavora. Perdemos o medo psicológicos dos fenômenos naturais quando entendemos o que são e como se manifestam. Para os raios criamos o para-raios e aprendemos como evitar ser atingidos por ele. Isso diminuiu nossas fontes de medos.sábado, maio 07, 2022
AS LIÇÕES DE SABEDORIA DO COTIDIANO
Uma coisa que tentei ajustar, em meu pensamento, foi
a de que, diferentemente dos pensadores antigos e principalmente dos teólogos
do cristianismo, foi a concepção de que qualquer fenômeno a minha volta, qualquer
que seja, ou mesmo pensamentos vindo à mente tem significado e sentido, portanto importa
valorizá-lo, trazê-lo ao palco das meditações. A vida cotidiana é o mais fértil
terreno para praticar o autoconhecimento e apresenta, constantemente, e a toda
hora, lições de vida e de verdades que não faz sentido algum ignorar.
Os religiosos, principalmente da versão cristã, tem
uma tendência para desprezar os acontecimentos e fatos do cotidiano, comuns da
vida humana e como vulgares, sem valor, até mesmo vis e rasteiros. O que tem
valor é pensar na espiritualidade, é meditar sobre o sagrado, sobre uma vida
superior, ideal ou coisa desse tipo.
Mas escapando desse dualismo, prefiro cultivar uma
vida em que o cotidiano e as reflexões mais elevadas sejam partes de meu
trabalho de busca do conhecimento da “verdade”. Observar a vida do individuo
comum e estudar a vida dos grandes sábios são partes indissociáveis da formação
de uma mente que deseja estar sempre o
mais perto possível da realidade, do mundo natural, quero dizer que sem me
aprisionar às interpretações difundidas por outros seres humanos. Observar a
vida como inédita, antes de qualquer explicação corrente ou julgamento
ideológico, é impossível, pois minha mente já está formada ou faz parte dessa
cultura na qual nasci e cresci. Negar as fundações culturais onde apoiei meu
edifício de conhecimentos é como tentar negar a língua materna e criar outra
própria. Portanto não desejo negar meu passado e a forma de pensar que adquiri;
o objetivo é o de superar, é de ir além com liberdade, com ousadia e
perseverança. A partir da interpretação do mundo que herdei, tentarei edificar
uma estrutura de conhecimento que me leva a verdade, à realidade das leis da
natureza, sem me limitar ou usar pré-conceitos.
Não pretendo construir uma nova interpretação da
realidade, mas, sim, conhecê-la antes e depois de qualquer interpretação. É
claro que isso também seria uma interpretação, pois existe esse dualismo entre
o eu que percebe e significa as coisas e o ambiente externo a mim, o que existe
fora e independente do eu; o mundo subjetivo e o mundo objetivo. Mas, a
intenção pode ser, e vale a pena tentar, de aproximar ambos ao máximo possível.
Tentar, na verdade, fundi-los numa unidade. Embora, saiba que nunca se alcança
essa fusão, vale a pena o esforça para aproximá-los tanto quanto puder.
terça-feira, março 08, 2022
O APRENDIZ DE OPRESSOR
Todo filho, lá pelos 15 anos, entra na fase de
aprendiz de rebelde. Foi nessa época que o pai perguntou ao garoto:
- Filho, o que tem aprendido na escola?
- Há, pai, aprendi que você... bem, não posso falar.
- Como assim filho? Pode falar. Sabe que seu pai tem
a mente aberta e não recrimina você atoa.
- É, que, pai, que descobri que você é um opressor.
- Opressor?
- É. Opressor porque você é empresário, tem muitos
funcionários e explora eles.
- ´Tá brincando?! Eu opressor? Quem pôs essa
besteira na sua cabeça, filho?
- Ninguém pai. Descobri por mim mesmo. Minha
professora pediu para fazer uma redação baseada na relação entre ricos e pobres
na sociedade capitalista.
- Há! É isso? E o que mais?
- Tinha que explicar porque e como os empresários
exploram a classe trabalhadora.
- Entendi. E você se colocou em qual classe?
- Eu? Não exploro ninguém....
- Há, é! E quem sustenta você é o trabalhador ou o
empresário?
- Como assim?
- Quem dá sua mesada mensal é o empregado ou é seu
pai?
- Eu não escolhi ser filho de empresário rico. Nasci
e pronto.....
- Pois bem. Já que eu sou explorador dos pobres não
seria justo você viver do dinheiro que eu supostamente arranco do lombo dos
meus empregados. Então, vou cancelar sua mesada.
- Poxa, pai! Isso é sacanagem!
- Não. Estou apenas querendo respeitar sua convicção
e evitar que seja hipócrita.
- Bem pai, não precisa levar isso a sério. Era
apenas uma redação. Se escrevesse que o empresário não explora o empregado, a
professora diria que estou errado e me daria zero de nota.
- Então o problema é que você se vê forçado a seguir
a onda? Tenho uma solução para isso. Vou tirar você dessa escola e colocar
noutra que não ensine esses absurdos a você.
- Mas não é absurdo! Você não vive do trabalho de
seus empregados?
- Você também vive, filho.
- Sei pai, mas não é exploração?
- O que você acha? Seria melhor ele não ter emprego
e dizer que ninguém o explora mas não ter renda nenhuma ou ter emprego e
salário para sustentar sua família?
- Acho melhor ter emprego.
- Filho, as coisas são muito mais complexas do que
tenta passar sua professora. Eu abri essa empresa porque vi mercado para o que
pretendia produzir. Sabia que poderia contratar pessoas para trabalhar pra mim.
Imagine que eu não pudesse ter empregado, eu não produziria nada e o pobre não
teria renda a não ser por seu próprio empreendimento.
- É complexo mesmo.
- Eu tinha dinheiro que herdei de seu avô e pude
ainda contrair empréstimos no banco. Arrumei sócio e comprei o terreno e
construí a fábrica. Você acha que o pobre poderia se envolver num negócio
desse?
- Seria difícil, resignou o filho.
- Não há exploração só apenas cooperação e parceria.
Criei uma fonte de rede para mim com a abertura dessa empresa e criei uma fonte
de renda para meus funcionários também. Ambos temos benefícios do negócio. É
isso que chamo de parceria.
- Nossa, pai! Estou vendo que é melhor mudar de
escola!
quarta-feira, janeiro 05, 2022
FAZ SENTIDO FUGIR DO MUNDO REAL?
O problema da maioria das religiões é que defende o isolamento da sociedade, o cultivo da vida retirada, longe da labuta normal do indivíduo comum. Esse talvez seja o grande pecado das religiões. Precisamos de uma religião ou filosofia que pregue a vida sábia no mundo normal, na vida cotidiana da luta pelo sustento e conforto. Nada mais salutar e benéfico para a sociedade que o próspero empresário que atua com sabedoria, contribuindo para que o mundo seja um pouco melhor. O sábio da vida, com recursos financeiros, tem a imensa possibilidade de agir dentro da sociedade com capacidade de gerar benefícios permanentes a uma parcela significativa das pessoas no seu ambiente de influência. Da mesma forma o ignorante ou psicopata pode, com vastos recursos, distribuir sofrimentos e desordens sociais que perdurarão para o longínquo futuro.
quinta-feira, dezembro 09, 2021
LIVROS PREFERIDOS - WALDEN
WALDEN de Henry David Thoreau
este está desgastado pelo uso - este outro enfeita a estanteEste primeiro livro, em formato de bolso, comprei em
1976 quando tinha 20 anos e o li como se estivesse lendo a bíblia, com a
diferença de que lia a bíblia meio que por obrigação dos pais e depois, só com
o tempo, por curiosidade. Walden, li cada página com profunda emoção. Sentia
queThoreau era meu irmão espiritual, uma alma gêmea, pois em cada frase eu via
estampada o mundo que percebia, mas não achava palavras para expressar. Thoreau
meu deu essas palavras, auxiliou-me a consolidar os pensamentos e a construir
minha própria filosofia de vida.
É claro que passada aquele euforia, me vi caminhando
por outras paragens, outros personagens surgiram em minhas leituras. Hoje eu
vejo Thoreau como um indivíduo reativo, que negava a sociedade a sua volta, mas
sem radicalismo como contraponto. Talvez esse seja o encanto que permanece; criticava
seus contemporâneos, mas com certa dose de afeição, sem ódios ou revolta. Thoreau tinha bom humor e o bom humor é a
mais poderosa vacina contra fanatismos e intolerância. Ele tinha um pé no sonho
e outro na realidade.
Há uma cena que diz muito sobre sua ironia quase
socrática. Quando os parentes e amigos
perceberam que Thoreau estava a beira da morte, atacado pela tuberculose que destruía seus pulmões,
chamaram o pastor para rezar por sua
alma. Enquanto gemia e tossia em seu
leito, o pastor, que sabia de suas duras críticas a religião e ao cristianismo
em particular, disse: filho, está na hora de você fazer as pazes com Deus. Ao
que Thoreau retrucou num gemido: que eu saiba, nunca briguei com ele. Assim era
esse fantástico pensador. Até na hora da morte conseguia manter o bom humor e
conseguia proferir sua ferina e fria ironia.
terça-feira, novembro 16, 2021
SER PACIFISTA OU BELICISTA?
Imagino que é de suma importância eu ser o melhor dos pacifistas quando
entre os pacifistas e o melhor dos guerreiros quando me deparar com belicosos
inimigos.
O significado desse pensamento está claro: o melhor comportamento humano
é o da flexibilidade. Portanto, que eu esteja sempre adaptado às circunstâncias
e não preocupado com princípios se estes forem inadequados ou quando as circunstâncias
mudam. Aceitar as mudanças é uma forma de preservar a flexibilidade mental. Não
faz nenhum sentido combater a guerra, ostentando ódio aos espíritos conflitivos,
ou organizando um movimento do tipo “sou da paz”, vestir-me de branco e
enfrentar o mundo com flores.
O que importa é compreender o meio ou o momento que se enfrenta; se é um
meio pacifico não faz sentido ser
belicista nesse ambiente. Se meu objetivo é viver bem na comunidade e usufruir
dos benefícios de ser membro dela, e inapropriado semear a discórdia e os
conflitos, achando que dessa forma vou alcançar benefícios ainda melhores. No
longo prazo, uma sociedade sob constante e mútua agressão entre seus membros,
não subsiste.
A paz, muitas vezes, é uma estratégia vital de sobrevivência. Tudo
depende do contesto ou das circunstâncias. Quando me vejo numa sociedade em que
sobreviver dependo de luta e de imposição de alguns sobre os outros, negar-se a
lutar é aceitar a submissão e a uma vida de escravo. Se minha sociedade está
sendo atacada por forças externas, evocar um espírito de paz é sinônimo de
abdicar, de se submeter ao arbítrio de outros.
Por isso que em tempo de guerra é melhor ser um bom guerreiro e em tempo
de paz, levantar a bandeira branca do espírito anti-belicista.
sexta-feira, julho 23, 2021
INTELIGÊNCIA VERSUS SABEDORIA
É importante
trabalhar a questão da diferença entre “inteligência e sabedoria” visto que,
nos tempos atuais, a palavra sabedoria entrou em quase desuso e com isso a
diferença entre ambas as expressões também se esvaneceu. E isso é lamentável.
Inteligência é um
componente da sabedoria, mas não é sabedoria. Sábio, podemos dizer que é todo
aquele que antes de agir ou falar mede as conseqüência posteriores e tem
inteligência suficiente para saber se essas conseqüências serão boas ou
más.
Inteligente é
aquele que aprende rápido, domino conhecimentos úteis. Por exemplo, uma pessoa
pode ter o domínio da matemática, da música ou da marcenaria, isso é ser
inteligente nessas questões. Já sabedoria tem um sentido abrangente, não
especifico. O sábio entende a natureza humana e sabe como agir sem negá-la ou
condená-la. Usa a inteligência para compreender, Isso quer dizer que compreende
que é um produto da história, que vive as conseqüências das escolhas de
gerações passadas. Portanto seus recursos para mudar a realidade são limitados,
quando não impotentes. Sabe que o que sabe da vida é muito pouco, diante da sua
imensa ignorância. Como diria Sócrates, o filósofo grego de século V antes de
Cristo: Só sei que nada sei. Sócrates
conhecia suas limitações, por isso era um sábio.
Sábios foram
Confúcio, Lao tzé, Sócrates, Jesus, Epicuro e tantos outros. Inteligentes foram
Aristóteles, Copérnico, Galileu, Newton, Einstein.
quarta-feira, junho 09, 2021
A LINGUAGEM MUDOU TUDO
Os seres humanos criaram a linguagem para se
comunicar entre si e isso mudou tudo. Com a linguagem criou-se um fosso enorme
entre nós e os parentes mais próximos como os chipanzés. A linguagem propiciou
uma eficiente e fantástica forma de transmitir conhecimento de uma geração para
outra. Assim nasceram as ferramentas a agricultura, as invenções facilitadoras
da vida e também as armas para caçar, defender e matar rivais. Com a linguagem
foi possível chegar aonde chegamos com esse mundo tecnológico, computação,
robótica e telecomunicação. A linguagem também evoluiu para encantar, cativar,
dissimular, criar poderosas religiões e sofisticadas ideologias. Favoreceu
também as estratégias de guerra, de execuções, de invasões, de planejamento de extermínios
de povos indesejáveis. A lista é infinita, tanto de coisas boas quanto
maléficas.
A lista de maldades saídas dessa caixa de pandora é
tão grande que dá vontade de querer voltar à época em que nossos antepassados
só gruíam, gritavam e gesticulavam; guerreavam apenas com punhos, pedras e porretes
de pau.
terça-feira, junho 01, 2021
A FILOSOFIA DE USO, UM SABER DE USO
Nosso esforço é o de resgatar o sentido antigo de filosofia, que é o do amor a sabedoria, e que esse amor à sabedoria pode ser a forma de se alcançar uma maneira de viver o mais saudável possível, tanto física e social, quanto mental. Entendemos que essa foi a missão de Sócrates, o filósofo de rua da antiguidade grega, que dedicou sua vida a beliscar os outros para que procurassem por si mesmos o “saber viver”.
Só não é nosso propósito criar uma ideologia, uma interpretação fechada e completa da vida, mas, sim, estabelecer um filosofia de vida, formada por um conjunto complexo de comportamentos filosóficos.
Resumindo: uma maneira filosófica de viver.
Mas o que é uma maneira filosófica de viver? Essa postura pode ser definida práxis de vida, praticada por meio da reflexão, da inspeção detalhada de cada questão, da análise antes de qualquer julgamento - seja ele moral ou técnico - uma análise, em fim, que não busca a explicação mas o conhecimento da coisa. Para cada fenômeno eu pergunto o que é isso e não como explicar o que é isso?
Ao longo da história da humanidade, buscaram-se explicações. A era da ciência suspendeu a explicação antecipada ou justificadora das coisas e passou a destrinchar, investigar os fenômenos e conhecê-los no que são, independente de qualquer crença, explicação ou julgamento.
Assim, em nossa busca do saber de uso, ou seja, do saber para uso prático da vida, essa busca só dará resultados para aqueles que estiveram aquém ou além das explicações e dos julgamentos peremptórios ou dogmáticos.
quarta-feira, maio 26, 2021
A IDEOLOGIA DO PASTOR DE OVELHAS
Sabe o que é mentalidade do “pastor de ovelha”?
É aquela ideologia que prega que o mundo é dividido
em três classes: ovelhas, lobos e pastores.
Quem prega essa mentalidade é quem se vê no papel de
pastor. Quem acredita nessa mentalidade é aquele que se sente fraco e
impotente; este se agarra na crença de que o pastor o protege dos lobos. As
ovelhas vêem o pastor como protetor, mas não percebem que só valem alguma coisa enquanto servirem para lhe dar lã que o protege do frio e carne para matar sua
fome. Quando não há predador o pastor inventa lobos para não perder seu posto
privilegiado.
quarta-feira, maio 12, 2021
NÃO SE NEGA A VIDA IMPUNEMENTE
Quem leu Nietzsche e não apreendeu a mensagem principal de seus escritos que é a de que ”ninguém nega a vida impunemente”, não aprendeu nada. Abraçar a utopia de que a vida é amor, solidariedade, cooperação, pacifismo, harmonia com a natureza e altruísmo extremo é a forma mais vulgar de negar a vida e, por conseguinte, de sacrificá-la. O ser humano não é santo, mas também não é demônio, não é guerreiro o tempo todo ou pacifista em qualquer circunstância. Sonhar com um mundo cor de rosa leva ao risco de querer transformá-lo em cor única, monocromático, eliminando todas as outras cores, e esse é o primeiro passo para se destruir a vida verdadeira.
quinta-feira, abril 29, 2021
HIPERATIVIDADE MENTAL E BOM HUMOR
Quando se estuda a história da filosofia, é uma constante o problema enfrentado pelos pensadores em função de nosso cérebro hipertrofiado. Pensamos demais, trazemos o passado e imaginamos o futuro. Se nosso passado foi trágico, projetamos um futuro tenebroso. Estamos presos nesse desespero da mente hiperativa. Sair dessa armadilha foi, historicamente, muito difícil e raro. Poucos homens conseguiram conviver com o ritmo frenético de seus pensamentos. Esses poucos indivíduos que conseguiram conviver com a hiperatividade mental e dar-lhe um rumo construtivo e fecundo, eu os chamo de sábios.
Adoro o sábio que ri. Os humoristas estão, quase todos, de bem com a vida; em vez de ver o lado trágico da vida passada, presente ou projetado no futuro, eles encontram e cultivam o lado cômico das coisas. Há! como é bom rir da estupidez humana e, principalmente, da nossa própria estupidez. Um indivíduo alegre e bem humorado nunca será candidato a ditador.
quarta-feira, abril 21, 2021
HÁ MOMENTOS DE.....
Há momentos de competir e há momentos de cooperar;
Há momentos de plantar e há momentos de colher;
Há momentos de pratear e há momentos de regozijar;
Há momentos de trabalhar e há momentos de descansar;
Há momentos de juntar e há momentos de espalhar;
Há momentos de falar e há momentos de calar;
Há momentos de lutar e há momentos de selar a paz;
Há momentos de acreditar e há momentos de duvidar;
Há momentos que se perde e há momentos que se ganha;
quarta-feira, fevereiro 17, 2021
SÓCRATES ENSINAVA HUMILDADE
Numa manhã de chuva, daquelas que persistem todo o dia, resolvi voltar a ler sobre Sócrates. Da janela podia ver as árvores da mata e suas folhas molhadas, oscilando sob o impacto das gotas d’água. Meu desejo era imaginar a mim mesmo, apoiado nas informações que temos e nos escritos que chegaram até nós, perambulando pelas ruas poeirentas de Atenas num dia qualquer do alto verão. Encontraria Sócrates sentado num banco de pedra, à sombra das árvores e conversando com seus amigos. Pelos relatos, sua aparência era inconfundível.
Sócrates admitia que seria incapaz de ensinar qualquer coisa a alguém, principalmente por dinheiro. Na apologia cita o caso de Cálias de Hipônico que admitiu que iria pagar 5 minas para Éveno de Paros, para educar seus filhos. Ouvindo isso Sócrates declarou: “o certo é que eu também me sentiria altivo e orgulhoso, se soubesse tais coisas (capaz de vender ensinamentos); entretanto, o fato é que não sei”.
Uma idéia revolucionaria de Sócrates até hoje ainda não foi assimilada pelo povo, ou pelo menos nunca foi posta em prática, seja pelos intelectuais, seja pelos políticos, seja pelos mestres e ensinadores. É a de que sábio é aquele que sabe até onde sabe e que consegue imaginar o quanto ainda não sabe. Sábio é o relativista que se preocupa não com o que aprendeu, mas com o quanto precisa aprender para poder formular alguma regra ou conceito válido ou útil.
Sócrates percebeu, já faz mais de dois mil anos, que as pessoas especialista em alguma área do conhecimento se sentem sábias em qualquer outra coisa, e assim são consideradas pelos outros. De vez em quando vemos grandes cientista manifestando opiniões sobre disciplinas que desconhecem. O povo acha que um médico notório no seu saber e com habilidade cirúrgica é também hábil em política ou psicologia. Este equivoco persiste intacto nos tempos atuais.
Ou seja, as pessoas não conhecem os limites de seu conhecimento ou de sua inteligência e portanto, conforme Sócrates, não são sábias.